sábado, 16 de abril de 2011
Alunos com surdez são atendidos em salas regulares
Intérpretes de Libras fazem o acompanhamento durante as aulas
Cerca de 870 estudantes com deficiência auditiva, da mais leve até a surdez, estão matriculados nas escolas da rede estadual. Graças à política de inclusão, desenvolvida pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), esses alunos frequentam as salas comuns aos demais estudantes. Eles participam das aulas com o apoio de um intérprete que faz a tradução simultânea da fala do professor, utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libra). Todos os estudantes com surdez que procuram a rede pública estadual são acolhidos.
Quando o estudante com surdez chega à rede pública de educação e faz a matrícula, uma equipe multiprofissional o avalia para identificar suas necessidades e, também, potencialidades. Aqueles alunos que já conhecem a língua de sinais são acompanhados durante as aulas e capacitados em Português para Surdos - uma segunda língua, complementar ao seu aprendizado. Os que ainda não sabem a Língua Brasileira de Sinais recebem, também, a formação necessária para dominar a Libra e acompanhar a turma em que está inserido. Quando faz a matrícula de um aluno com surdez, ou com qualquer outra deficiência, a escola recebe o suporte de que precisa para garantir o processo de inclusão do aluno.
Atualmente a rede estadual conta com 440 intérpretes de Libras distribuídos em salas de mais de 320 escolas em todo o estado. São profissionais capacitados para interpretar as aulas para os alunos que recebem também apoio dos professores de recursos. Em número de 391, os professores de recursos atendem os alunos em atividades no contraturno, ensinando Libras e também Português para surdos em salas de múltiplos recursos. Esses profissionais tornam o aprendizado dos estudantes com surdez um processo natural na rede pública estadual.
Em Goiânia, se concentra o maior número de estudantes com deficiência auditiva. São mais de 100 matriculados em 28 escolas regulares. Só o Colégio Estadual José Carlos de Almeida, no centro da capital, atende cerca de 40 alunos com deficiência auditiva. Em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia, 25 escolas estaduais atendem alunos com surdez. Em Trindade, o número de escolas com atendimento especial para surdos é de 22. No interior, Catalão atende estudantes com problemas auditivos em 21 escolas, Iporá atende em 20 unidades e Goianésia, em 16. Em todas as 38 subsecretarias regionais de educação há alunos com surdez sendo atendidos pelas escolas estaduais.
Além desse atendimento aos estudantes nas escolas, a Secretaria da Educação mantém em seus quadros 40 instrutores de Libras para capacitar os professores, estudantes, familiares e outros profissionais. Os instrutores são surdos, com formação superior e capacitação específica para ensinar Libras, tanto na escola quanto no Centro de Capacitação para os Profissionais da Educação às Pessoas com Surdez (CAS). Só no ano passado, o CAS prestou 400 atendimentos a pessoas interessadas em aprender a língua de sinais.
A Secretaria dispõe, ainda, de Centros de Atendimentos Educacionais Especializados (CAEE), que também oferecem cursos de Libras para alunos surdos que estudam nas escolas regulares. No contraturno, em vez de retornarem à escola, vão para essas unidades para receberem o atendimento específico. Atualmente, a rede conta com 30 CAEEs, sendo dez estaduais e 20 conveniados.
A inserção dos alunos com surdez nas salas comuns em escolas regulares é resultado dos esforços da Secretaria da Educação para oferecer na rede estadual uma educação cada vez mais inclusiva. A presença de um ou mais alunos com limitações numa sala de aula contribui para a formação de todos, despertando o respeito às diferenças e a solidariedade.
Quando o estudante com surdez chega à rede pública de educação e faz a matrícula, uma equipe multiprofissional o avalia para identificar suas necessidades e, também, potencialidades. Aqueles alunos que já conhecem a língua de sinais são acompanhados durante as aulas e capacitados em Português para Surdos - uma segunda língua, complementar ao seu aprendizado. Os que ainda não sabem a Língua Brasileira de Sinais recebem, também, a formação necessária para dominar a Libra e acompanhar a turma em que está inserido. Quando faz a matrícula de um aluno com surdez, ou com qualquer outra deficiência, a escola recebe o suporte de que precisa para garantir o processo de inclusão do aluno.
Atualmente a rede estadual conta com 440 intérpretes de Libras distribuídos em salas de mais de 320 escolas em todo o estado. São profissionais capacitados para interpretar as aulas para os alunos que recebem também apoio dos professores de recursos. Em número de 391, os professores de recursos atendem os alunos em atividades no contraturno, ensinando Libras e também Português para surdos em salas de múltiplos recursos. Esses profissionais tornam o aprendizado dos estudantes com surdez um processo natural na rede pública estadual.
Em Goiânia, se concentra o maior número de estudantes com deficiência auditiva. São mais de 100 matriculados em 28 escolas regulares. Só o Colégio Estadual José Carlos de Almeida, no centro da capital, atende cerca de 40 alunos com deficiência auditiva. Em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia, 25 escolas estaduais atendem alunos com surdez. Em Trindade, o número de escolas com atendimento especial para surdos é de 22. No interior, Catalão atende estudantes com problemas auditivos em 21 escolas, Iporá atende em 20 unidades e Goianésia, em 16. Em todas as 38 subsecretarias regionais de educação há alunos com surdez sendo atendidos pelas escolas estaduais.
Além desse atendimento aos estudantes nas escolas, a Secretaria da Educação mantém em seus quadros 40 instrutores de Libras para capacitar os professores, estudantes, familiares e outros profissionais. Os instrutores são surdos, com formação superior e capacitação específica para ensinar Libras, tanto na escola quanto no Centro de Capacitação para os Profissionais da Educação às Pessoas com Surdez (CAS). Só no ano passado, o CAS prestou 400 atendimentos a pessoas interessadas em aprender a língua de sinais.
A Secretaria dispõe, ainda, de Centros de Atendimentos Educacionais Especializados (CAEE), que também oferecem cursos de Libras para alunos surdos que estudam nas escolas regulares. No contraturno, em vez de retornarem à escola, vão para essas unidades para receberem o atendimento específico. Atualmente, a rede conta com 30 CAEEs, sendo dez estaduais e 20 conveniados.
A inserção dos alunos com surdez nas salas comuns em escolas regulares é resultado dos esforços da Secretaria da Educação para oferecer na rede estadual uma educação cada vez mais inclusiva. A presença de um ou mais alunos com limitações numa sala de aula contribui para a formação de todos, despertando o respeito às diferenças e a solidariedade.
Goiânia, 13 de abril de 2011.
Fonte: SEDUC GO
sábado, 2 de abril de 2011
Para professora, alunos não compartilham a língua nas escolas convencionais
RIO - A diretora de Políticas Educacionais e coordenadora de Ensino de Libras na Universidade Federal de Santa Catarina, Patrícia Luiza Ferreira Rezende, disse, em e-mail ao GLOBO, que é contra a forma como o Ministério da Educação executa a política de educação especial no país. "Infelizmente, a Lei da Libras, o decreto e a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência não têm sido cumpridos a contento pelo MEC. A atual política de inclusão insiste em colocar crianças surdas junto com as ouvintes, sem haver um compartilhamento linguístico entre elas. Nesses espaços, as crianças surdas oriundas de famílias ouvintes não adquirem sua língua natural de forma espontânea, como as crianças ouvintes que compartilham a mesma língua da sua família interagindo e obtendo informações e, assim, construindo o conhecimento de mundo, que é aprofundado na escola. Como haver inclusão se não há aquisição linguística pela criança surda?"
Em seguida, a professora, que é surda-muda, explica como o portador de surdez encara o aprendizado do português: "A língua de instrução utilizada em todos os espaços da escola inclusiva é o português. No máximo, os alunos contam com a presença de intérpretes de língua de sinais durante as aulas, o que muitas vezes torna inviável o ensino, já que a criança surda nem sequer domina Libras, muito menos possui conhecimento prévio do mundo por meio de língua nenhuma. Mas a metodologia de ensino continua sendo a mesma para surdos e ouvintes. O português é ensinado como primeira língua aos surdos, descumprindo a legislação."
Fonte: Site O Globo
Fonte: Site O Globo
Leia artigo da pedagoga Patrícia Rezende sobre política de inclusão
RIO - Leia, na íntegra, o artigo da pedagoga Patrícia Rezende sobre políticas de inclusão de surdos em escolas convencionais:
Infelizmente, a Lei da Libras, o decreto e a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com deficiência não têm sido cumpridos a contento pelo Mec. A atual política de inclusão insiste em colocar crianças surdas junto com as ouvintes sem haver um compartilhamento linguístico entre elas. Porque nesses espaços as crianças surdas oriundas de familia ouvintes não adquirem sua língua natural de forma espontânea como as crianças ouvintes que compartilham a mesma língua da sua familia interagindo e obtendo informações e assim construindo o conhecimento de mundo que é aprofundado na escola. Como ter inclusão se não há aquisição linguística pela criança surda?
A língua de instrução utilizada em todos os espaços escolares da escola inclusiva é o português. No máximo, os alunos contam com a presença de intérpretes de língua de sinais durante as aulas, o que muitas vezes torna inviável o ensino já que a criança surda nem sequer domina Libras e muito menos possui conhecimento prévio de mundo por meio de língua nenhuma. Mas a metodologia de ensino continua sendo a mesma para surdos e ouvintes. O português é ensinado como primeira língua aos surdos descumprindo a legislação. O próprio Mec se contradiz ao apoiar uma lei que prevê ensino de português para surdos como segunda lei, mas na prática o fazer como ensino de primeira língua.
Além disso, muitas vezes a criança surda é a única na sala, permancendo isolada de seus colegas ouvintes. Mesmo que a escola ofereça curso de Libras às crianças ouvintes, elas não interagem na sua totalidade com as crianças surdas. E os surdos deixam de ter estímulos linguísticos em Libras o que traria o desenvolvimento na etapa de alfabetização adequado. Percebemos o fracasso da escola inclusiva nitidamente ao avaliar o desenvolvimento dos surdos. Temos duas pesquisas, uma feita pela USP e outra pela UFSC que provam esse fracasso. Segundo a pesquisa de mestrado da professora Mariana Campos, da UFsCar, 50% dos alunos de uma escola inclusiva se sentem tristes e frustrados por não encontrarem artefatos da cultura surda na escola.
O discurso do Mec acusa as escolas de surdos de serem segregacionistas. Isso é uma falácia. Cada vez mais, ganha força a tese de que a segregação é promovida pelas políticas educacionais que reconhecem diferentes línguas e culturas. O argumento é plausível, pois recorre à ideia de que, se queremos unir as pessoas, devemos colocá-las juntas e não separadas. Apesar de ser aparentemente aceitável, essa concepção de inclusão rejeita as diferenças culturais dos surdos e as especificidades linguísticas. Existe o imaginário de que basta colocar um intérprete na sala de aula, uma muleta para o aluno surdo, e estaremos promovendo a inclusão e o bilinguísmo. A maioria dos pesquisadores da área defende que reunir surdos em uma mesma escola ou sala de aula não significa separá-los do mundo ou torná-los mais dependentes. Ao contrário, os ambientes linguísticos que favorecem a vivência de uma língua de maneira espontânea fazem com que os sujeitos se tornem mais autônomos, pois eles alcançam o conhecimento de maneira mais rápida e eficaz. A experiência linguística plena faz com que as pessoas se sintam seguras nas interações sociais e na relação com seus pares. Além disso, quanto maior o desenvolvimento linguístico dos sujeitos, maior a capacidade de buscar conhecimento e de utilizá-lo livremente no seu cotidiano. Eles podem, de maneira independente, transitar no mundo e compreendê-lo. Assim, o conhecimento de mundo adquirido pelos surdos por meio uma língua natural, a Libras, seria mais eficiente.
Fonte: Site O Globo
Estudante surdo processa faculdade por falta de intérprete em sala de aula
RIO - Defendida pelo Ministério da Educação, a política de inclusão de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino é mais complicada do que sugere a teoria. Surdo, o estudante de administração Diego dos Santos Daris, de 21 anos, move uma ação na 3ª Vara Cível de Campo Grande, na Zona Oeste, contra uma faculdade por não dispor de intérprete adequado em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Mas a dificuldade de Diego, hoje instrutor de Libras numa escola municipal do bairro, começou bem antes.
Durante a infância, na falta de um alfabetizador que soubesse a língua de sinais, Diego aprendeu a ler e escrever por esforço da mãe, Leila dos Santos. Durante todo o período em que o filho estudou na rede municipal do ensino fundamental, coube a ela repassar as lições em Libras.
Hoje sei que a rede municipal dá mais acompanhamento. Mas, naquela época, tive que ensinar tudo a ele nas oito séries
- Hoje sei que a rede municipal dá mais acompanhamento. Mas, naquela época, tive que ensinar tudo a ele nas oito séries - conta Leila.
No ensino médio, Diego teve a sorte de se matricular no Colégio Albert Sabin, da rede estadual, em Campo Grande, onde havia profissionais capacitados em Libras - época em que ele "deslanchou", nas palavras da mãe.
Os problemas voltaram no ano passado, quando Diego começou o curso de administração do Centro Universitário Moacyr Bastos, também em Campo Grande. Havia uma intérprete contratada pela instituição, mas ela, por ser também aluna, não dava atenção exclusiva ao rapaz.
- A intérprete passou a faltar às aulas. Ele voltava com dor de cabeça de tanto tentar acompanhar a leitura labial - conta a mãe.
Instituição alega que houve problema pessoal
Segundo a reitoria da Moacyr Bastos, a faculdade tem dez anos de experiência com alunos com necessidades especiais. Para a instituição, o que ocorreu com o aluno foi um problema pessoal com a intérprete.
Diego se comunica por meio da Libras, língua que teve como berço o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), em Laranjeiras. A notícia de que o Ines estava ameaçado de fechar causou indignação ao estudante de administração, mesmo sem nunca ter frequentado a instituição de 154 anos.
- Diego disse que não era possível fechar o Ines, pois era uma referência cultural para todos os surdos - interpretou a mãe, ao lado do filho.
Fonte: Site O Globo
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